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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Com certeza 2008 ficará na memória como um ano bom e de certas conquistas pessoais. De crescimento interior. O primeiro ano de duas vidas. Em que resgatei o que me fazia falta, que me tornava incompleta, menos feliz. Eu precisava arcar com algumas conseqüências, ouvir o que aconteceu. Foi o ano em que me abri pros meus amigos e também pedi desculpas.
Em janeiro conheci minha amiga Ari, a polaca branca azeda, que passou uns dia na minha casa. Depois veio a Cris – baixinha sorridente, sardenta e tri simpática – mas infelizmente só a vi um dia. Fui à Cerra do Cipó e vi cachoeiras lindas. Meu aniversário comemorei no rodízio de pizza, na mesma época em que comecei meu estágio. Em abril meu sobrinho nasceu. Fui à primeira festa à fantasia da minha vida e fiquei alta por causa de três Smirnoff Ice, foi memorável. Conheci Di e Biel, dois guris com coração de ouro. Não na festa, claro. Em julho tive férias maravilhosas: visitei Macacos, comi muito petiti gateau, fui ao Convento da Penha depois de quinze anos e até aprendi a fazer torta de limão. No final de setembro fui ao show do 2º Ato d’O Teatro Mágico, um dia realmente inesquecível e místico. Depois conheci o Munchie, graças à uma palestra que ele veio dar sobre investidores iniciantes. Vieram os dois churrascos dos raros capixabas, o amigo oculto cultural, um dia de farofeiros no Yahoo e o primeiro bolo que fiz sozinha (oh, yeah), de uma das receitas do caderninho que ganhei da mãe da Ni. Podem preparar seus estômagos que em 2009 serão muitos pratos novos, mesmo que dêem errado!
A todos, uma passagem de ano cheia de esperanças, paz e alegria. Que venham mais 365 dias de boas mudanças, promessas cumpridas e respeito. Até janeiro!
10:00
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
A Lora, minha amiga rara e sem papas na língua, me desafiou a confessar cinco coisas sobre mim. Tarefa difícil. Pra ela, por ser um livro aberto; pra mim, por ser uma muralha ^^. Nada tão sério, mas aí vai:
1. Quando tinha 14 anos, eu era a-pai-xo-na-da pelo Matt, do clássico Digimon. Juro. Meu passado negro. Mas não precisa rir muito disso, ok?
2. Eu ainda não sei se perdoei ou esqueci algo que alguém fez há uns anos.
3. Tenho medo de não ser nada na vida. De nada dar certo, de eu me tornar o que nunca quis e continuar com medo.
4. Tenho mais pena de cachorro de rua do que de criança de rua. Desculpa, mas é maior do que eu.
5. Não lembro direito em que época da adolescência foi, mas eu tive uma nóia de que eu não ia conseguir engolir nada que comesse. Tinha que beber alguma coisa junto.
08:52
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Só porque tem como colar o resultado no blog e isso me fez ter um post a mais. Faça o teste, é bacanudo :)
Daqui a pouco, mais textos novos. Ou no ano que vem (piada batida)!
Resultado: 21 pontos
Eu tenho um excelente vocabulário.
Teste Seu Vocabulário.
Oferecimento: InterNey.Net
10:18
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
E assim toda a discussão familiar se resumiu no cachorro. Todas as aflições, angústias, raivas e frustrações eram culpa do cachorro. Mariana sabia que desse jeito era muito mais fácil arranjar um motivo pra tudo de ruim que acontecia, e esse motivo era Pompeu. Mas resolveu ficar calada, enxugando seus pêlos molhados da chuva, ouvindo os pais discutindo sobre a quem doar o pobre semeador da discórdia. Tinha raiva, claro, por serem tão cegos de não enxergarem que os problemas estavam neles mesmos. Iam deixar passar de novo. Essa história mal resolvida que só crescia como uma bola de neve. A bola saía rolando e aumentando e as pessoas fingiam não perceber. A culpa era do cachorro mesmo.
Mariana tinha raiva, mas ficou calada. Pompeu começou a dar bastante trabalho vivendo naquele cubículo de apartamento, soltando pêlos, precisando sair pra umas mijadinhas algumas vezes por dia, arfando e latindo. Tinha, porém, uma parcela de culpa pelo stress gerado ao longo do tempo. Mas que, pra Mariana, não eram nada em vista da alegria que ele já proporcionou pra todo mundo. Ótimo, queriam dá-lo a alguém, e ela só queria ver se teriam coragem de colocar a coleira no pescoço do sempre devoto Pompeu e levá-lo pro carro, queria ver o quanto chorariam e o tamanho da saudade que sentiriam da sua carinha de bunda a implorar por um miolo de pão.
Quando brigas desse tipo aconteciam, Mariana virava outra pessoa. O bloqueio emocional de 10 km se reduzia à um abraço na mãe, palavras carinhosas, cuidados e uma maturidade atípica. Era como as coisas deveriam ser em momentos normais, mas não eram. Nessas horas Mariana via tudo como se fosse a primeira vez. A mãe frágil e chorosa e seu próprio jeito de consolá-la e fazer as coisas voltarem ao normal. Sua atitude firme de preparar o remédio e o copo de água, de arrumar a cama, chamá-la pro banho, de murmurar pra que se acalmasse. A indiferença se transformava em súbito e vívido interesse, compaixão. Mas mais importante do que fazer tudo como da primeira vez, era perceber a sensação primária que isso lhe causava. Era o que fazia parecer que você pode perder o que mais ama num segundo e só se dar conta depois. Os fracassos, as frustrações, a descrença, a rotina, parecem ofuscar aquilo que merece a verdadeira atenção, cuja chama é preciso sempre ter cuidado pra não se apagar de vez.
Mas na maior das turbulências, Mariana conseguia enxergar essa chama. E podia sentir como ela ainda queimava. Voltou-se para Pompeu e admitiu que ficar sem ele dali a uma semana ou um mês era algo real, então. Conversou com ele, secando delicadamente suas patas com um pano de chão, passando o dedo em seu focinho, beijando sua testa enrugada. Pompeu continuava parado deixando-a terminar o serviço. Mariana percebeu que de repente seus olhos nunca lhe pareceram tão doces e amáveis. Seu pêlo nunca fora tão brilhante, o abanar do rabo tão encantador, seu espreguiçar tão engraçado. A própria amizade e fidelidade dele nunca foram tão palpáveis, enquanto olhava a dona com aqueles olhinhos brilhantes como azeitona preta. Mariana sentiu um nó na garganta. A possibilidade da perda era como uma venda sendo desamarrada.
Ela abaixou-se e o abraçou, numa linda cena de filme. "É sua culpa. É sua culpa de verdade eu me importar tanto".
"And what is all comes down to
Is that I haven't got it all figured out just yet
'Cause I've got one hand in my pocket
And the other one is giving the peace sign"
Hand in my pocket, Alanis Morissette
19:10
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Chegando quase atrasada, faltam 20 minutos pro dia 26! Nem adianta desejar um Feliz Natal a essa altura, né? Mas espero que tenham tido um bom Natal. Seja lá quem lê meu blog. Essa data lembra família, não lembra? Não vou ser hipócrita e não dizer que a parte de ganhar presentes pouco importa, porque na verdade é das mais legais, mas sei lá... a magia do Natal tá em reunir a família, jantar juntos, enfeitar a casa. Sair pela rua e ver as árvores e pracinhas iluminadas, as casas com bolinhas e sinos.
Dessa vez a família se reuniu aqui no apartamento. Pais, tios, primos e avós, mas nem são muitas pessoas. A noite começou com a minha cadela comendo as castanhas da mesinha de centro da sala, mas como era dia de paz e harmonia, todo mundo riu. Meia noite a fome já tinha levado quase todo mundo pra mesa, e aquela ceia bonitinha de novela que eu tanto imaginei foi por água abaixo. Eu tive que avisar que dia 25 chegou, senão ninguém ia prestar atenção. Começaram a bater palminhas e a falar de boca cheia, chester caindo no prato, típica família italiana exagerada. Na hora de abrir os presentes foi um pulando em cima do outro, tia Eliane rindo com um chiclete grudado no pino de onde deveria estar o dente que caiu de manhã. Foi aí que me lembrei daqueles Natáis que pássavamos na casa dela, quando eu ainda era criança. Nunca nenhum 25 de dezembro será tão mágico como eram os daquela época. A mesa grande de madeira da cozinha passava pra varanda, onde tio Didico separava os petiscos. Os queijinhos, castanhas cozidas, salaminhos, o vinho. Ficavam todos batendo papo naquele ventinho peculiar de Jacaraípe, ele me dando seus famosos arrochos, abraços tão apertados que faziam doer minhas costelinhas. A ceia era misturada ali mesmo, sempre um chester ou um peru. Depois minha mãe pegava meu chinelo raider rosa, enchia da grama do jardim e colocava debaixo da árvore. Era hora de eu ir pra cama, senão Papai Noel não passaria ali com meus presentes. Pra pegar no sono era uma luta, de tanta ansiedade! De manhã eu corria direto pra sala e ficava completamente encantada ao ver que não tinha mais grama no chinelo. As renas comeram! Eu me sentia, de certo modo, especial. E desembrulhava freneticamente os presentes que tinham meu nome, os pacotinhos de docinho que tia Eliane fazia pra cada sobinho. Era um grito de emoção com as bonecas, a casa da Barbie, o joguinho da Turma da Mônica. Feliz da vida eu seguia pra cozinha, onde tinha pão caseiro e café com leite quente e todo mundo comendo. Nossa, que saudades!
Tia Eliane me viu e riu pra mim, dizendo que engoliu o chiclete. Saí da minha bolha de lembranças e ri também. Ai, ai, será que isso tudo volta um dia? Bem que podia, né? Afinal, eu não quero ser grande. Alguém quer?
17:11
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ainda falta uns bons dias pra 1º de janeiro, mas a promessa já está aqui, pra eu não me esquecer. Pra não pedir qualquer outra coisa quando der meia noite, qualquer coisa de que não irei me lembrar na semana seguinte. Há um tempo eu decidi passar por cima de mim mesma. No balanço de cada ano eu não quero mais ver regressão. Quero olhar pra trás e respirar fundo tudo o que me ajudou a só seguir em frente.
Não acomodei com o que incomodava. Olhei para as lacunas que faltavam preencher dentro de mim e agora me sinto completa. Mas não consegui enxergar o que estava mais perto de mim. Não quero deixar pra trás, e nem fingir que vai passar. É uma promessa.
"How 'bout me not blaming you for everything? How 'bout me enjoying in a moment for once?"
Thank U, Alanis Morissette
20:33
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Meu querido diário,
aahh, vem chegando o verão. Isso quer dizer que as férias também chegaram, certo? Não. Quer dizer que eu fiz as últimas provas e estou passando um cagaço, esperando o resultado de uma matéria. Não estou nem um pouco a fim de fazer prova final, daí enquanto isso finjo que estou de férias, plena e linda. Três dias coçando o saco e já enjoei do ócio instalado, mesmo com o sol saindo depois de quase duas semanas de dilúvio. Gente, eu não tenho o que fazer da vida e não vejo tanta graça em andar de bicicleta por aí, dar comida aos pombos na pracinha e muito menos ir à praia fazendo a Claudia Ohana. Falida depois de idas ao cinema e sushi em horário inapropriado, me dirigi à sorveteria em dia de promoção. Mal sentei na cadeira e uma chuva torrencial começou. Meu, nem dava pra acreditar, tava um sol fritando meus miolos há dois minutos, porra. Corri pra dentro da loja antes que eu ficasse igual a um pinto molhado. Isso que dá tentar fazer algo de útil num dia que era pra ter ficado em casa de novo, viu. Meu humor já tinha despencado uns degraus quando fui dar uma olhada nos sorvetes. "Mineirinho". Que merda, tem gosto de quê? Pão de queijo? Por que não colocam os sabores normais nos sorvetes?
Quando o tempo deu uma trégua, saí melecada e puta da sorveteria porque haviam acabado com o leite condensado e fui direto pra locadora. Hoje era dia de ver filme. Aluguei dois DVS's, na promoção. Tudo é promoção na quarta-feira, a-do-ro. Relaxei no sofá da sala e o filme começou a rodar. Tava ótimo. A cena mais importante ia acontecer, finalmente, quando a porcaria travou. O DVD não queria mais passar nem com macumba. Levei pro computador e quase fiz os botões do mouse voarem de tanto que eu apertei, com ódio no coração. Não aguentava mais assistir à propaganda do "posso dar o troco em bala?". Voltei pra sala e o jeito foi continuar o filme da cena seguinte. Depois daquela, a mais importante de todas e talz. Desliguei a tv com cara emburrada e me enfiei debaixo das cobertas, pensando no que não faria no dia seguinte, depois de acordar às 13h. Achei que seria melhor ser outro dia de nada. Deixa o ócio se instalar de novo, porque a culpa ainda era do stress das aulas, que não queria me largar.
14:01
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Com certeza 2008 ficará na memória como um ano bom e de certas conquistas pessoais. De crescimento interior. O primeiro ano de duas vidas. Em que resgatei o que me fazia falta, que me tornava incompleta, menos feliz. Eu precisava arcar com algumas conseqüências, ouvir o que aconteceu. Foi o ano em que me abri pros meus amigos e também pedi desculpas.
Em janeiro conheci minha amiga Ari, a polaca branca azeda, que passou uns dia na minha casa. Depois veio a Cris – baixinha sorridente, sardenta e tri simpática – mas infelizmente só a vi um dia. Fui à Cerra do Cipó e vi cachoeiras lindas. Meu aniversário comemorei no rodízio de pizza, na mesma época em que comecei meu estágio. Em abril meu sobrinho nasceu. Fui à primeira festa à fantasia da minha vida e fiquei alta por causa de três Smirnoff Ice, foi memorável. Conheci Di e Biel, dois guris com coração de ouro. Não na festa, claro. Em julho tive férias maravilhosas: visitei Macacos, comi muito petiti gateau, fui ao Convento da Penha depois de quinze anos e até aprendi a fazer torta de limão. No final de setembro fui ao show do 2º Ato d’O Teatro Mágico, um dia realmente inesquecível e místico. Depois conheci o Munchie, graças à uma palestra que ele veio dar sobre investidores iniciantes. Vieram os dois churrascos dos raros capixabas, o amigo oculto cultural, um dia de farofeiros no Yahoo e o primeiro bolo que fiz sozinha (oh, yeah), de uma das receitas do caderninho que ganhei da mãe da Ni. Podem preparar seus estômagos que em 2009 serão muitos pratos novos, mesmo que dêem errado!
A todos, uma passagem de ano cheia de esperanças, paz e alegria. Que venham mais 365 dias de boas mudanças, promessas cumpridas e respeito. Até janeiro!
10:00
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
A Lora, minha amiga rara e sem papas na língua, me desafiou a confessar cinco coisas sobre mim. Tarefa difícil. Pra ela, por ser um livro aberto; pra mim, por ser uma muralha ^^. Nada tão sério, mas aí vai:
1. Quando tinha 14 anos, eu era a-pai-xo-na-da pelo Matt, do clássico Digimon. Juro. Meu passado negro. Mas não precisa rir muito disso, ok?
2. Eu ainda não sei se perdoei ou esqueci algo que alguém fez há uns anos.
3. Tenho medo de não ser nada na vida. De nada dar certo, de eu me tornar o que nunca quis e continuar com medo.
4. Tenho mais pena de cachorro de rua do que de criança de rua. Desculpa, mas é maior do que eu.
5. Não lembro direito em que época da adolescência foi, mas eu tive uma nóia de que eu não ia conseguir engolir nada que comesse. Tinha que beber alguma coisa junto.
08:52
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Só porque tem como colar o resultado no blog e isso me fez ter um post a mais. Faça o teste, é bacanudo :)
Daqui a pouco, mais textos novos. Ou no ano que vem (piada batida)!
Resultado: 21 pontos
Eu tenho um excelente vocabulário.
Teste Seu Vocabulário.
Oferecimento: InterNey.Net
10:18
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
E assim toda a discussão familiar se resumiu no cachorro. Todas as aflições, angústias, raivas e frustrações eram culpa do cachorro. Mariana sabia que desse jeito era muito mais fácil arranjar um motivo pra tudo de ruim que acontecia, e esse motivo era Pompeu. Mas resolveu ficar calada, enxugando seus pêlos molhados da chuva, ouvindo os pais discutindo sobre a quem doar o pobre semeador da discórdia. Tinha raiva, claro, por serem tão cegos de não enxergarem que os problemas estavam neles mesmos. Iam deixar passar de novo. Essa história mal resolvida que só crescia como uma bola de neve. A bola saía rolando e aumentando e as pessoas fingiam não perceber. A culpa era do cachorro mesmo.
Mariana tinha raiva, mas ficou calada. Pompeu começou a dar bastante trabalho vivendo naquele cubículo de apartamento, soltando pêlos, precisando sair pra umas mijadinhas algumas vezes por dia, arfando e latindo. Tinha, porém, uma parcela de culpa pelo stress gerado ao longo do tempo. Mas que, pra Mariana, não eram nada em vista da alegria que ele já proporcionou pra todo mundo. Ótimo, queriam dá-lo a alguém, e ela só queria ver se teriam coragem de colocar a coleira no pescoço do sempre devoto Pompeu e levá-lo pro carro, queria ver o quanto chorariam e o tamanho da saudade que sentiriam da sua carinha de bunda a implorar por um miolo de pão.
Quando brigas desse tipo aconteciam, Mariana virava outra pessoa. O bloqueio emocional de 10 km se reduzia à um abraço na mãe, palavras carinhosas, cuidados e uma maturidade atípica. Era como as coisas deveriam ser em momentos normais, mas não eram. Nessas horas Mariana via tudo como se fosse a primeira vez. A mãe frágil e chorosa e seu próprio jeito de consolá-la e fazer as coisas voltarem ao normal. Sua atitude firme de preparar o remédio e o copo de água, de arrumar a cama, chamá-la pro banho, de murmurar pra que se acalmasse. A indiferença se transformava em súbito e vívido interesse, compaixão. Mas mais importante do que fazer tudo como da primeira vez, era perceber a sensação primária que isso lhe causava. Era o que fazia parecer que você pode perder o que mais ama num segundo e só se dar conta depois. Os fracassos, as frustrações, a descrença, a rotina, parecem ofuscar aquilo que merece a verdadeira atenção, cuja chama é preciso sempre ter cuidado pra não se apagar de vez.
Mas na maior das turbulências, Mariana conseguia enxergar essa chama. E podia sentir como ela ainda queimava. Voltou-se para Pompeu e admitiu que ficar sem ele dali a uma semana ou um mês era algo real, então. Conversou com ele, secando delicadamente suas patas com um pano de chão, passando o dedo em seu focinho, beijando sua testa enrugada. Pompeu continuava parado deixando-a terminar o serviço. Mariana percebeu que de repente seus olhos nunca lhe pareceram tão doces e amáveis. Seu pêlo nunca fora tão brilhante, o abanar do rabo tão encantador, seu espreguiçar tão engraçado. A própria amizade e fidelidade dele nunca foram tão palpáveis, enquanto olhava a dona com aqueles olhinhos brilhantes como azeitona preta. Mariana sentiu um nó na garganta. A possibilidade da perda era como uma venda sendo desamarrada.
Ela abaixou-se e o abraçou, numa linda cena de filme. "É sua culpa. É sua culpa de verdade eu me importar tanto".
"And what is all comes down to
Is that I haven't got it all figured out just yet
'Cause I've got one hand in my pocket
And the other one is giving the peace sign"
Hand in my pocket, Alanis Morissette
19:10
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Chegando quase atrasada, faltam 20 minutos pro dia 26! Nem adianta desejar um Feliz Natal a essa altura, né? Mas espero que tenham tido um bom Natal. Seja lá quem lê meu blog. Essa data lembra família, não lembra? Não vou ser hipócrita e não dizer que a parte de ganhar presentes pouco importa, porque na verdade é das mais legais, mas sei lá... a magia do Natal tá em reunir a família, jantar juntos, enfeitar a casa. Sair pela rua e ver as árvores e pracinhas iluminadas, as casas com bolinhas e sinos.
Dessa vez a família se reuniu aqui no apartamento. Pais, tios, primos e avós, mas nem são muitas pessoas. A noite começou com a minha cadela comendo as castanhas da mesinha de centro da sala, mas como era dia de paz e harmonia, todo mundo riu. Meia noite a fome já tinha levado quase todo mundo pra mesa, e aquela ceia bonitinha de novela que eu tanto imaginei foi por água abaixo. Eu tive que avisar que dia 25 chegou, senão ninguém ia prestar atenção. Começaram a bater palminhas e a falar de boca cheia, chester caindo no prato, típica família italiana exagerada. Na hora de abrir os presentes foi um pulando em cima do outro, tia Eliane rindo com um chiclete grudado no pino de onde deveria estar o dente que caiu de manhã. Foi aí que me lembrei daqueles Natáis que pássavamos na casa dela, quando eu ainda era criança. Nunca nenhum 25 de dezembro será tão mágico como eram os daquela época. A mesa grande de madeira da cozinha passava pra varanda, onde tio Didico separava os petiscos. Os queijinhos, castanhas cozidas, salaminhos, o vinho. Ficavam todos batendo papo naquele ventinho peculiar de Jacaraípe, ele me dando seus famosos arrochos, abraços tão apertados que faziam doer minhas costelinhas. A ceia era misturada ali mesmo, sempre um chester ou um peru. Depois minha mãe pegava meu chinelo raider rosa, enchia da grama do jardim e colocava debaixo da árvore. Era hora de eu ir pra cama, senão Papai Noel não passaria ali com meus presentes. Pra pegar no sono era uma luta, de tanta ansiedade! De manhã eu corria direto pra sala e ficava completamente encantada ao ver que não tinha mais grama no chinelo. As renas comeram! Eu me sentia, de certo modo, especial. E desembrulhava freneticamente os presentes que tinham meu nome, os pacotinhos de docinho que tia Eliane fazia pra cada sobinho. Era um grito de emoção com as bonecas, a casa da Barbie, o joguinho da Turma da Mônica. Feliz da vida eu seguia pra cozinha, onde tinha pão caseiro e café com leite quente e todo mundo comendo. Nossa, que saudades!
Tia Eliane me viu e riu pra mim, dizendo que engoliu o chiclete. Saí da minha bolha de lembranças e ri também. Ai, ai, será que isso tudo volta um dia? Bem que podia, né? Afinal, eu não quero ser grande. Alguém quer?
17:11
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ainda falta uns bons dias pra 1º de janeiro, mas a promessa já está aqui, pra eu não me esquecer. Pra não pedir qualquer outra coisa quando der meia noite, qualquer coisa de que não irei me lembrar na semana seguinte. Há um tempo eu decidi passar por cima de mim mesma. No balanço de cada ano eu não quero mais ver regressão. Quero olhar pra trás e respirar fundo tudo o que me ajudou a só seguir em frente.
Não acomodei com o que incomodava. Olhei para as lacunas que faltavam preencher dentro de mim e agora me sinto completa. Mas não consegui enxergar o que estava mais perto de mim. Não quero deixar pra trás, e nem fingir que vai passar. É uma promessa.
"How 'bout me not blaming you for everything? How 'bout me enjoying in a moment for once?"
Thank U, Alanis Morissette
20:33
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Meu querido diário,
aahh, vem chegando o verão. Isso quer dizer que as férias também chegaram, certo? Não. Quer dizer que eu fiz as últimas provas e estou passando um cagaço, esperando o resultado de uma matéria. Não estou nem um pouco a fim de fazer prova final, daí enquanto isso finjo que estou de férias, plena e linda. Três dias coçando o saco e já enjoei do ócio instalado, mesmo com o sol saindo depois de quase duas semanas de dilúvio. Gente, eu não tenho o que fazer da vida e não vejo tanta graça em andar de bicicleta por aí, dar comida aos pombos na pracinha e muito menos ir à praia fazendo a Claudia Ohana. Falida depois de idas ao cinema e sushi em horário inapropriado, me dirigi à sorveteria em dia de promoção. Mal sentei na cadeira e uma chuva torrencial começou. Meu, nem dava pra acreditar, tava um sol fritando meus miolos há dois minutos, porra. Corri pra dentro da loja antes que eu ficasse igual a um pinto molhado. Isso que dá tentar fazer algo de útil num dia que era pra ter ficado em casa de novo, viu. Meu humor já tinha despencado uns degraus quando fui dar uma olhada nos sorvetes. "Mineirinho". Que merda, tem gosto de quê? Pão de queijo? Por que não colocam os sabores normais nos sorvetes?
Quando o tempo deu uma trégua, saí melecada e puta da sorveteria porque haviam acabado com o leite condensado e fui direto pra locadora. Hoje era dia de ver filme. Aluguei dois DVS's, na promoção. Tudo é promoção na quarta-feira, a-do-ro. Relaxei no sofá da sala e o filme começou a rodar. Tava ótimo. A cena mais importante ia acontecer, finalmente, quando a porcaria travou. O DVD não queria mais passar nem com macumba. Levei pro computador e quase fiz os botões do mouse voarem de tanto que eu apertei, com ódio no coração. Não aguentava mais assistir à propaganda do "posso dar o troco em bala?". Voltei pra sala e o jeito foi continuar o filme da cena seguinte. Depois daquela, a mais importante de todas e talz. Desliguei a tv com cara emburrada e me enfiei debaixo das cobertas, pensando no que não faria no dia seguinte, depois de acordar às 13h. Achei que seria melhor ser outro dia de nada. Deixa o ócio se instalar de novo, porque a culpa ainda era do stress das aulas, que não queria me largar.
14:01