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domingo, 1 de novembro de 2009
Surreal o cagaço que passei ontem. Ainda estou pensando se foi culpa do gato preto que vi semana passada, ou a Lei de Murphy resolveu andar atrás de mim.
Se galera viu nos jornais, Vitória (cidade onde euzinha moro)está sob zoação chuva constante desde terça-feira. Eu tinha um voo marcado pra este sábado, 31, às 8h20. Desde quinta-feira que o aeroporto de merda daqui estava fechado devido ao mau tempo, porque não é bom o suficiente. Tá certo que não dava pra ver nada no céu além de uma coisa densa cinza e branca, mas aposto que os outros aeroportos do país estavam operando. Mas, enfim, a esperança é a última que morre. Acordei às 5h ontem pra chegar com uma folga boa pro check-in (detalhe: nunca havia viajado de avião desde então). A chuva parou por meia hora e recomeçou, zoando da minha cara. Cheguei naquela pista de pouso improvisada e o saguão estava lotado. No painel, voos cancelados. Quis morrer, parte I. Fiquei, no mínimo, meia hora na fila pra pedir reembolso integral. Ainda perguntei à atendente se dava pra remarcar pra hoje, e a resposta foi que era provável não decolarem, pois a previsão era de mais chuva. Beleza, fui embora. Puta da vida por saber que o dinheiro só cairia na conta daqui a 30 ou 40 dias.
Em casa, depressiva por mil coisas ruins acontecendo na minha pobre vida, disse a mim mesma: eu vou viajar de qualquer jeito, porra. Decidi pegar um ônibus à noite. Fui na rodoviária e comprei a passagem. De noite, 10 minutos antes de ir pra lá e finalmente relaxar na poltrona 24, a notícia através da minha mãe: uma 'cratera' se abrira na estrada de Marechal Floriano e os carros não passavam. Quis nem saber. Se o ônibus não saísse, a viação me comunicaria lá ou encontrariam outro caminho, outra solução. Se as estradas estava com barreira caindo, buraco, água, não me importava. Mal saímos de casa, um estouro: todas as ruas atrás de nós ficaram sem energia. Mas prosseguimos através da chuva grossa (com mamãe me xingando, óbvio). Em Santa Lúcia, nos deparamos com uma rua completamente alagada. Não dava pra ir pra frente, nem pra trás. Tentei acalmar os ânimos e, contornando, subimos pelo canteiro e voltamos na rua de mão oposta. Em vez de seguir direto pra casa, falei pra tentarmos outro caminho. Sim, sou teimosa e idiota. Quando chegamos na César Hilal, aí sim eu vi o que era um completo alagamento. Simplesmente não dava pra sair do lugar. Mamãe entrou num estado de histeria. Ela sofre de arritmia cardíaca e, só de saber que os remédios não estavam no carro, quase passou mal. Passamos bons minutos discutindo, chorando e eu pedindo mil desculpas por nos arrastar àquela cena prévia de Santa Catarina. Estávamos em cima de um canteiro, mas o nível da água só subia. Do outro lado da rua, uma moradora do prédio tirava fotos da situação. Abaixei a janela e gritei pra ela nos deixar entrar. Quando saímos do carro (com a porta do passageiro destranca e minha mala no banco de trás), bastou cinco segundos pro vento destruir os dois guarda-chuvas (que, aliás, não eram de camelô). Eu podia jurar que vinha um furacão atrás da gente. A água batia nas minhas coxas. Dentro da portaria, a moça muito gentil acalmou minha mãe e nos convidou pra entrar no apartamento.
Bem, aí o jeito era esperar a chuva passar e a porra do nível da água baixar. A moça, chamada Margie, disse que isso era normal, que a máre estava alta, mas iria diminuir lá pra meia noite. Eram 21h30.
Sentadas no sofá e nos enxugando com toalhas, o vento sacudia a janela de trás. Depois tomamos sopa (já disse que a Margie era gentil, né?) e ficamos conversando madrugada afora. Quando eram quase 4h, o nível já havia baixado bastante, mas minha mãe ficou com medo de voltar naquela água. Sabe como é, nosso carro é um mero Uno 93 duas portas. Chamamos o guincho e, às 4h30, estávamos em casa. Já rindo da situação toda.
Apesar de já tirar sarro, foi sem dúvida um dos piores dias da minha vida. E um dos mais longos. Enquanto passava álcool nas pernas pra evitar pegar uma leptospirose da vida, pensava em como (quase) tudo havia dado errado. Dia 31 foi o Dia das Bruxas e, pelo jeito, elas estavam soltas mesmo.
Caos
Culpada
14:40