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sábado, 28 de março de 2009
Acabei de ler um livro que meu amigo me deu de aniversário. Chama-se Cantiga de Ninar, de Chuck Palahniuk (o mesmo cara que escreveu Clube da Luta). O título parece bastante inocente, mas a cantiga em questão mata qualquer pessoa que a ouve.
A história é narrada por Carl Streator, um jornalista amargurado que é encarregado de fazer uma série de matérias sobre a "morte súbita infantil", em que bebês morrem sem causa aparente. No berço, dormindo e até nos braços das mães. Enquanto investiga, Streator descobre que em todas as casas dessas famílias havia o mesmo livro de canções antigas, sempre aberto na página 27. Paus e pedras quebram tudo pela frente, mas palavras não machucam a gente são os dois primeiros versos da "cantiga de poda", e não poderiam ser mais irônicos. Palavras machucam sim. No caso, matam.
Com o resto das estrofes gravadas na cabeça como se fossem um jingle, Streator se transforma num assassino sem controle, porém determinado a destruir todas as páginas 27 dos 300 exemplares de “Poemas e Rimas ao Redor do Mundo” que existem nos EUA. Juntos a ele nessa missão estão Helen Hoover Boyle, uma corretora de casas mal assombradas; Mona Sabbat, uma bruxa adolescente e secretária de Helen e Ostra, um vegetariano radical protetor do meio ambiente.
Foi só saber que havia mortes misteriosas envolvendo uma canção de ninar que eu me interessei pelo livro no ato. Mas há muito mais por trás da história. Chuck Palahniuk consegue brilhantemente mesclar a trama com uma puta crítica à sociedade americana de massa. Nos faz refletir sobre o alcance ao poder, o excesso de informação que nos bombardeia hoje em dia e o vazio do ser humano. Como seria viver em um mundo silencioso, onde a palavra teria o comando máximo sobre nós? Bom, acho que em parte já vivemos assim.
Virei fã do cara. Recomendadíssimo!
Esses barulhômanos. Esses calmófobos.
... Até no banheiro, até tomando uma chuveirada, você consegue oubir o falatório no rádio por cima da sibilar da ducha. Ou um dinossauro voador pré-histórico despertado por um teste nuclear está prestes a destruir o pessoal do andar de baixo ou a televisão deles está alta demais. (...) Num mundo em que as juras não tem nenhum valor, em que fazer um juramento nada significa, em que as promessas são feitas para serem quebradas, seria agradável ver as palavras de volta ao poder.
11:40
quinta-feira, 26 de março de 2009
Devido a uns probleminhas com o antigo template, resolvi ir à caça de algum legal e achei um site ótimo, o BlogSkins. Tem MUITOS templates bons! Fiquei em dúvida entre vários, e acabei escolhendo esse. Ralei bastante pra fazer o código funcionar, porque as novas configurações do Blogger só aceitam XML, então desisti e voltei pro modelo clássico. Portanto, sem aquele gadget legal de ver as atualizações dos blogs favoritos :/.
Como mudei de template, todos os comentários dos posts anteriores sumiram. Triste, né? A Cris foi uma alma muito bondosa e conseguiu o código pra implantar aqui o Haloscan como ferramenta de comentários; agora podem escrever à vontade! Well, como se muitas pessoas viessem aqui, mas dêxa baixo. Mimimimimi.
É isso, por enquanto. Hasta!
14:09
sexta-feira, 6 de março de 2009
Enquanto arrumava os caixotes velhos do quarto que servia de despensa, achou o baúzinho das cartas que recebera desde a adolescência. Tirou o pó da tampa e abriu. Retirou o primeiro envelope da pilha e encontrou uma carta de cinco páginas de folhas de caderno. Datava de seis anos atrás.

"Nos filmes e nos livros românticos, o amor supera tudo, absolutamente tudo. Especialmente a ausência. A mocinha espera na varanda de casa, todos os dias, o amado voltar da guerra. Nem uma foto recente, uma carta, um postal, uma notícia sequer. Mas ela espera paciente, convicta, pelo dia em que ele retornará e enfim ficarão juntos pra sempre. É bonito, é romântico, mas não funciona assim na vida real. Ou tenho muita fraqueza, ou não tiveram tempo de incluir na história épica cenas da donzela chorosa, desorientada, destruída pela falta que o amado faz em seus dias. Ele, por sua vez, deitado numa vala, segurando a única foto que tem dela, esperançoso e com a certeza de que fazia aquilo pra um dia voltar para o seu amor.
Não digo que o amor não supera tudo, porque supera. Mas é que sinto sua falta demais. E é tão forte que precisaram inventar uma palavra só pra ela: saudade. Que às vezes domina meus dias e aperta tanto no meu peito que acho que não vou conseguir suportar. E então, pra amenizar a dor, eu imagino o abraço que te darei quando te vir. Quando, eu não sei, mas esse dia virá novamente. Imagino meu reflexo nos seus olhos, o cheiro do perfume, o beijo sufocado, o murmúrio do meu nome. O frenesí de amor é interrompido em quatro ou sete dias até nos separarmos outra vez. E a tortura recomeça.
É tão estranho ficar longe de você, porque não faz sentido algum. Do outro lado estou aqui, sem chão, sem rumo. É injusto. É cruel. Mas não podemos fazer nada, não ainda. E enquanto não fazemos tudo, eu te abraço o mais forte que consigo, como se pudesse arrancar um pedacinho de você e guardar pra mim nas minhas noites de solidão. Ah, se eu tivesse uma chance de te guardar em um potinho! Mas já aprendi que por mais que eu te abrace, por mais que eu te beije, por mais que eu diga que te amo, nunca será suficiente. Há sempre algo por dizer, algo por fazer. E nada me parte mais o coração do que ter que ir embora, do que te ver indo embora. Não há um dia em que eu não durma pensando em você, em que eu não reze por nós. Não há um dia em que eu não sinta a sua falta, que não me preocupe ou não descubra que estou amando alguém mais do que a mim.
Então espero como no filme, mas não sento na varanda. Deito na cama, no escuro, olhando pro nada. Sabendo que vou dormir só, sem seus braços em volta de mim. Que vou acordar e você não será a primeira coisa que verei. Sentindo falta da eletricidade correr o meu corpo quando você me toca, quando me olha. Não haverá distância que resista, e eu sei que a gente se espera o tempo que for. Morrendo um pouco a cada noite, amando mais a cada manhã. Aguardando pelo dia em que só existirá a passagem de ida. E enfim nos encontraremos no salão de desembarque, quando um abraço aliviado será o bastante."
O rosto já estava quente, molhado, mas havia um sorriso. Um barulho vindo da cozinha; alguém estava chegando das compras. Fechou o baú, levantou-se e saiu pela porta. Um bilhete de avião que estava no envelope flutuou no ar até cair. Era só de ida. E ficou ali, como todas as outras coisas que não tinham mais volta.
"O dia do prato chegou, é quando eu encontro você, nem me lembro o que foi diferente. Mas assim como veio, acabou, e quando eu penso em você, choro café e você chora leite"
(O Teatro Mágico)
"Que luxo era poder abraçar a pessoa amada sempre que se desejava"
(P.S: Eu te amo)
15:17